Total de visualizações de página

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


NÃO DEIXE DE LER , ESTA NOTÍCIA.

Ainda “Prazerosamente Morrendo” Após Todos Estes Anos
Os rumores da desinformação continuam a grassar entre muitos dos nossos colegas radioamadores quando dizem que “O radioamadorismo está morrendo”, ou então, “Os nossos números estão diminuindo” – geralmente incluindo radioamadores que espalham estas “informações” a todas as novas mídias, às quais inconscientemente reforçam a percepção junto ao grande público de que o radioamadorismo está no caminho do esquecimento.
Fato 1: Em 31 de maio de 2010 existiam 691.982 radioamadores ativos e licenciados no banco de dados do FCC. Após uma mudança na maneira com que a FCC procede a estatística dos seus registros, estabelecida em 1997, notou-se que os números atuais representam o maior número de radioamadores licenciados de todos os tempos.
Fato 2: Em 18 de junho de 2010, cerca de 17.000 novas pessoas entraram no ranque dos radioamadores licenciados neste ano. Isto significa 3.000 pessoas a mais, se comparado ao mesmo período do ano passado. (um recorde de novos radioamadores para o primeiro semestre em todos os anos) e 600 pessoas a mais se comparado a todo o ano de 2005.
Mas, todos eles são radioamadores “ativos”?
Poucas semanas atrás, num encontro de radioamadores no Texas, um colega me perguntou para onde eu achava que o nosso hobby se encaminhava. Eu disse que acreditava que o futuro parecia ser brilhante e de que estávamos próximo ao recorde absoluto de novas licenças (eu não tinha à mão nenhuma estatística que comprovasse o que estava dizendo).
“Mas, quantos deles são realmente ativos?”, ele perguntou. Esta é uma daquelas perguntas que custam uns 64 mil dólares pensei e lhe disse “esta resposta depende do que você considera ativo”.
Continuando ele disse “Bem, eu considero que um radioamador ativo é aquele que tem, pelo menos, uma procura na página do QRZ.com por ano, ou seja, quanto mais procuras ele tem, mais ativo ele é”.
Este método é válido, até certo ponto. Um alto número de procuras no QRZ.com indica provavelmente um alto nível de atividade, mais especificamente, indica um alto nível de atividades no HF, para os quais os cartões QSL são comumente trocados. Por outro lado, aquele radioamador que é muito envolvido com seu radio-clube local, participa regularmente das redes do serviço de emergência ou possivelmente ajuda na manutenção da repetidora local, talvez não entre na condição de “procurado no QRZ” e, segundo este critério, não seria um radioamador “ativo”.
Da mesma forma aqueles radioamadores cuja sua principal atividade seja longas conversas diárias no HF ou VHF com colegas de outras cidades ou países e que não precisam ou não fazem questão de cartão QSL, também não entrariam neste critério.
Também aqueles colegas que se deliciam com suas montagens, projetos e experimentações como sendo seu principal interesse e cujas atividades “no ar” se limitem apenas aos testes de seus aparatos, não concorreriam a este ranque. Estes colegas talvez estejam na ponta daquilo que chamamos de “a arte do puro radioamadorismo”, mas, não serão considerados “ativos”, baseados no número de procuras no QRZ.com.
A FCC adotava um critério para definir quem era ativo ou não e, desta maneira, renovar a licença ou não dos solicitantes. Voltando àquele tempo, o candidato tinha de provar que estava “no ar” por um período mínimo de tempo para obter sua renovação. Era um critério arbitrário com certeza, mas, de qualquer forma era um critério. Este requerimento se extinguiu no final dos anos 70, eu acredito, e desde então a definição de “ativo” tem sido objeto de uma larga discussão. O fato é que, determinar o que é “estar ativo” é muito difícil de mensurar. Mas, porque é tão importante nos debruçarmos sobre estas estatísticas para “aferir a saúde” do nosso hobby? Vamos dar uma olhada em algumas delas.
Esmigalhando os Números
Existe um consenso generalizado de que a chamada “era de ouro” do radioamadorismo foi durante os anos 50 e 60, quando o mercado americano de fabricantes de equipamentos explodiu e dominava o mercado mundial. A tecnologia dos transceptores de estado sólido ainda estava engatinhando e não fazia frente aos valvulados com seus componentes de circuitos discretos, tornando ainda um mercado viabilizado ao cidadão comum que gostava de montar e reparar seus equipamentos. Não havia ainda os processadores de alto ganho, nem mesmo os componentes microscópicos de SMD. Havia componentes reais, válvulas reais para rádios reais e radioamadores reais.
Em 1960, de acordo com as estatísticas da ARRL, havia 227.500 “radioamadores autênticos” nos USA. Vamos assumir que, uma vez que esta era a “época dourada” e que cada um daqueles 227.500 operadores estavam “ativos no ar”, facilmente atingiriam o então critério da FCC.
Agora vamos olhar os números de 2010, assumindo que estamos vivendo uma era de “decadência” do nosso hobby. Digamos que apenas 1/3 (um terço) dos atuais 700.000 licenciados sejam realmente ativos, seguindo-se o critério atual da FCC. Isto significa 700.000 vezes 0,333....e obtemos...233.100 ou mais de 5000 radioamadores ativos hoje do que havia na totalidade de 1960. Se nós tornarmos estes números um pouco mais realista e assumirmos que apenas 75% dos radioamadores de 1960 eram realmente “ativos” e que somente 50% dos atuais o são (por qualquer definição que você escolha), isto nos daria cerca de 346.000 radioamadores ativos versus 170.625 em 1960, ou aproximadamente o dobro do número de radioamadores ativos hoje em dia se comparados àqueles da chamada “era de ouro”.
Fica claro que o radioamadorismo não está morrendo. Outro fato é de que os “velhos radioamadores” (old timers) haviam previsto a iminente extinção do nosso hobby desde que ele retornou da morte, depois da segunda grande guerra. Ele nunca mais seria o mesmo que fora no passado e os operadores jamais seriam como eles eram nos “velhos tempos dourados”. O radioamadorismo seria aniquilado pelas então novas classes dos Novices e Technicians, operadores da Faixa do Cidadão, Computadores, Celulares, Internet e Redes Sociais. Cada uma destas supostas ameaças tem, de fato, contribuído para a sua vitalidade. Vou repetir mais uma vez – em benefício das mais de 100.000 pessoas que adentraram ao nosso hobby nos últimos 4 anos e nunca ouviram meu slogan favorito antes, eu repito “Radioamadorismo: Prazerosamente morrendo por mais de 60 anos”.
Uma grande idéia
Oh! E para todas aquelas crianças que não demonstram o menor interesse no radioamadorismo, este encontro no Texas, na área de Dallas, chamado de Ham-Com, promoveu um dia inteiro de curso para jovens escoteiros conquistarem sua especialidade de Radioamador. Mais de 130 escoteiros se inscreveram no programa e praticamente todos a conquistaram e tiveram uma introdução ao mundo do radioamadorismo, através não apenas de suas lições ou demonstrações, mas também através de suas admissões voluntárias à Ham-Com.
Mais ainda, o comitê da Ham-Com concordou em pagar as taxas de inscrição ao exame de ingresso para cada escoteiro que comprovar obter uma nota de 80% ou superior, por 3 vezes, nos testes on line que a FCC aplica. Quatro jovens rapazes compareceram à Ham-Com com suas documentações necessárias e o requerimento em papel e todos eles retornaram para casa, ao final do dia, como novos radioamadores licenciados. Parabéns a eles e ao comitê da Ham-Com pela brilhante idéia e incentivo. Talvez você se junte a mim e ajude para que o radioamadorismo continue “Prazerosamente Morrendo”, pelo menos, pelos próximos 60 anos.
73, W2VU

Por Rich Moseson, W2VU – Colunista da revista CQ, coluna “Zero Bias”, edição de agosto de 2010, páginas 8 a 10. Tradução livre por Paul Toledo PY3DX, em dezembro de 2010.
As opiniões aqui contidas não representam necessariamente a opinião deste site. Sendo de total responsabilidade de seus autores.

Nenhum comentário: