Total de visualizações de página

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PADRE LANDELL DE MOURA


Surgiu em data distante (1861) em Porto Alegre, no centro
O homem que no momento passa a ser o personagem
A quem dedico a mensagem que pretendo apresentar
Na esperança de mostrar a grandeza de seus feitos
E, também, alguns defeitos, se porventura encontrar.

Dona Sara Marianna Landell, e, Inácio Ferreira Moura
São as fontes geradoras desse garotão esperto
Cujo nome de Roberto, conforme foi registrado
Veio a ser sacramentado também em nossa cidade
Aos dois anos de idade (1863), na pia do batizado.


Herdou dos pais, com certeza, alguns traços definidos
De menino extrovertido sempre atento às novidades;
Aprendeu Humanidades (1872/73), seguiu pro Rio de Janeiro
Estudante, e, comerciário, até que o próprio destino
Quem sabe, um sopro Divino, mudou-lhe o itinerário.


Matriculou-se em Roma, por indicação da fé (1878)
Pra buscar na Santa Sé, a doutrina, a Filosofia,
E, também, a Teologia, indispensáveis ao mote
De se tornar sacerdote (1886), sem descuidar dos inventos
Um de seus grandes intentos, desde quando rapazote.


Tinha o gênio desinquieto de um padre itinerante
Parava só um instante (1887/900) em suas várias mudanças
Sendo muitas as andanças, de Porto Alegre a Santana (SP)
Campinas, Santos, Uruguaiana, como vigário e professor
Cientista e pesquisador dedicado à vida humana.


Roberto Landell de Moura teve até fama de santo
Havendo alguém, entretanto, que o considerava “bruxo”
Por afrontar os gaúchos com idéias avançadas
E, reprimendas ousadas, ao exigir que as “beatas”
Se mostrassem mais sensatas, especialmente as casadas.


Os sermões que ele pregava calavam fundo na alma
Talvez escritos com a calma de quem falava com Deus;
Pois, hoje, os cadernos seus, guardam parte da doutrina
Que essa mente cristalina produziu por tantos anos
Ensinando aos paroquianos a mais cristã disciplina.


A versatilidade do gênio é clara, não se ignora
Por certo, Nossa Senhora deu-lhe amparo e proteção
Quando até a televisão (1904) que ninguém falava dela
Mas, ele, “enxergava” a tela com detalhes importantes
Mais de vinte anos antes de abrir-se a grande “janela”.


Em cada lugar que andasse despertava curiosidade
Face à extrema habilidade de lidar com coisa estranha
Sendo muitas as façanhas no campo do Espiritismo
E, também do Hipnotismo, onde fez experimentos
Mesmo sendo “divertimento”, impróprio ao catolicismo.



Com cabeça prodigiosa sempre cheia de projetos
Catava alguns objetos pros engenhos que montava
Quando não os fabricava em serões artesanais
Criando seus materiais na forma do imaginado
Sem esquecer os cuidados das funções sacerdotais.



Resultou de seu trabalho, para nosso maior gáudio,
A grande invenção do rádio (1893), do qual é pai, é razão
Pois, qualquer comunicação, por onda hertziana
Lembra o padre, nos ufana, muito embora seu rival (Marconi),
Pelo descaso oficial, tenha ficado com a fama.


A grande prova no ar (1899) da transmissão à distância
Foi feita com a relevância que o fato em si requeria
Demonstrando a telefonia, sem uso de nenhum fio
Sendo esse um desafio reconhecido na imprensa
Que lhe deu a recompensa num merecido elogio (1900).


O ensaio foi divulgado, e, por muita gente visto
Mas só teve oficial registro depois de grande labuta
Ao enfrentar nova luta na forma de seu perfil
Pra conseguir no Brasil (1901) a patente do aparato
Que transmitia de fato, algum som, mesmo sutil.


Nosso ilustre conterrâneo, que é gaúcho e brasileiro
É o patrono verdadeiro dos que amam seus inventos
E propagam aos quatro ventos, com orgulho e com louvor
Que um bom radioamador serve sempre à sociedade
Por sua livre vontade, sem nunca esperar favor.


Finalmente reconhecido depois de alguns desenganos
Recebeu dos americanos três patentes de inventor (1904)
Atestando que o transmissor e o telefone sem fio
São obras do seu feitio que se somam à primazia
De fazer da telegrafia um complemento do trio.


Perdão, ilustre pastor, pela simplória abordagem
Que a título de homenagem, quis colocar no papel
Mas, foi tarefa cruel, diante de vossa estatura;
Pois, confesso, com lisura, e, com todo meu respeito
Que pra alcançar seus feitos, preciso ter mais altura.


Antonio Luiz de Oliveira/out/2004




Obs: este apanhado tem por base o livro “Brasileiro, Gaúcho, Um Gênio Diferente: Landell de Moura”, recentemente  escrito e publicado pelo radioamador – PY3 IDR – Ivan Dorneles Rodrigues,  apaixonado pesquisador e estudioso da vida e obra desse notável religioso, cientista e inventor, chamado ROBERTO LANDELL DE MOURA.

Nenhum comentário: